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MEI pode ter funcionário? Sim — veja quanto custa de verdade e as obrigações

Publicado em 02/10/2026 · 5 min de leitura

Sim, o MEI pode ter um funcionário — exatamente um — registrado em carteira. Mas a pergunta certa não é “pode?”, e sim “quanto custa e eu dou conta?”. Porque o salário é só a metade da história, e a outra metade (encargos, 13º, férias, eSocial) é o que derruba quem contrata no impulso.

Regras e alíquotas abaixo são as vigentes na data de publicação. Legislação trabalhista e previdenciária muda — confira o Portal do Empreendedor e o eSocial antes de contratar.

As regras em 30 segundos

Quanto custa de verdade (a conta completa)

O MEI tem o encargo patronal mais baixo do país: 3 % de INSS (empresas normais pagam 20 %) e 8 % de FGTS. Mas 13º, férias e o terço de férias existem igual para todo mundo. Veja o custo mensal real para um salário de exemplo de R$ 1.600:

Item Cálculo Por mês
Salário — R$ 1.600,00
13º salário (provisão) 1.600 ÷ 12 R$ 133,33
Férias + 1/3 (provisão) (1.600 × 1,333) ÷ 12 R$ 177,78
FGTS 8 % sobre salário + 13º + férias R$ 152,89
INSS patronal (MEI) 3 % sobre salário + 13º + férias R$ 57,33
Custo total R$ 2.121,33

Ou seja: cada R$ 1,00 de salário custa cerca de R$ 1,33 para o MEI. Isso sem contar vale‑transporte (você banca o que passar de 6 % do salário), uniforme, exame admissional/demissional (R$ 80–150 cada) e eventual rescisão — a multa de 40 % do FGTS na demissão sem justa causa.

Do salário do funcionário, você desconta o INSS dele (7,5 % na faixa do mínimo) e eventualmente vale‑transporte. Isso é dinheiro dele que você repassa, não é custo seu — mas é você quem recolhe.

O teste antes de contratar

Faça esta conta antes de qualquer anúncio de vaga:

O funcionário vai gerar pelo menos R$ 2.200 de lucro adicional por mês (não faturamento — lucro)?

Se a resposta é “ele vai me liberar para vender mais” ou “vou abrir mais horas”, traduza isso em número. Com margem de 30 %, R$ 2.200 de lucro exigem R$ 7.300 a mais de faturamento por mês — e lembre que o MEI tem teto de R$ 81 mil por ano. Muita vez a contratação faz sentido justamente porque o negócio já está perto do limite e vai virar ME de qualquer jeito.

Se o seu fluxo de caixa ainda não separa o que é seu do que é da empresa, resolva isso antes — um funcionário exige salário em dia todo mês, independentemente de como foi a venda.

As obrigações (o que você vai ter que fazer todo mês)

Aqui está o que ninguém conta antes:

  1. Cadastrar o empregador e o empregado no eSocial antes do primeiro dia de trabalho. O MEI usa o módulo simplificado (eSocial Doméstico‑like para MEI), sem certificado digital — basta a conta gov.br.
  2. Registrar na CTPS Digital (é automático pelo eSocial).
  3. Exame admissional (ASO) antes de começar.
  4. Todo mês: informar a folha no eSocial e pagar a guia DAE (reúne INSS do empregado e do patrão + FGTS) até o dia 20. Não é o DAS — é uma segunda guia.
  5. Pagar o salário até o 5º dia útil.
  6. Em dezembro: 13º (1ª parcela até 30/11, 2ª até 20/12).
  7. A cada 12 meses: férias de 30 dias com 1/3 a mais, pagas até 2 dias antes do início.
  8. Entregar o informe de rendimentos até fevereiro.
  9. Na demissão: rescisão calculada, homologação não é mais obrigatória, mas multa de 40 % do FGTS e aviso prévio (trabalhado ou indenizado) são.

Nada disso é difícil — mas é recorrente e com prazo. Se perder prazos do eSocial, há multa. Muitos MEIs contratam um contador só para a folha (R$ 100–250/mês); outros fazem sozinhos pelo próprio eSocial. Coloque esse custo na conta também.

Alternativas antes de registrar alguém

Quando contratar é a decisão certa

Resumo

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