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Taxa de maquininha: quanto ela realmente come do seu lucro (e como repassar sem perder cliente)

Publicado em 02/10/2026 · 4 min de leitura

“É só 4 %.” Essa frase já quebrou muito pequeno negócio. Porque 4 % do preço pode ser 30 % do seu lucro — e a maioria dos MEIs nunca fez essa conta.

A conta que ninguém faz

Imagine um produto vendido a R$ 50, com custo total (material + sua hora + fixo) de R$ 40. Seu lucro é R$ 10 no Pix.

No crédito à vista com taxa de 4 %:

No crédito parcelado em 6× com taxa de 12 %:

Quanto menor a sua margem, mais a taxa pesa. Quem trabalha com margem de 10 % e aceita parcelado sem repassar está, literalmente, trabalhando para a adquirente.

Tabela de referência (ordens de grandeza)

As taxas variam por adquirente, volume e plano. Valores típicos para MEI em 2026:

Forma Taxa típica Prazo de recebimento
Pix (conta PJ) 0 % a 1 % Imediato
Débito 1 % a 2 % 1 dia útil
Crédito à vista 3 % a 5 % 1 a 30 dias
Crédito 2× a 6× 6 % a 13 % 30 dias por parcela ou antecipado com juros
Crédito 7× a 12× 12 % a 20 % idem

Confira as suas na fatura ou no app da maquininha — não no folheto. Taxa de antecipação automática costuma ficar escondida.

Três estratégias (e quando usar cada uma)

1. Embutir a taxa no preço (o mais seguro)

Você calcula o preço já considerando a taxa do canal mais caro que aceita. Quem paga no Pix paga o mesmo — você lucra mais; quem paga no cartão, você lucra o planejado.

Como: preço = custo ÷ (1 − taxa − margem). Para o exemplo acima com 4 % de taxa e 20 % de margem: 40 ÷ 0,76 = R$ 52,63.

Quando usar: sempre que a maioria das vendas é no cartão e você não quer explicar tabela de preço diferente.

2. Desconto no Pix

Preço de tabela já com a taxa embutida; quem paga no Pix ganha desconto equivalente. É legal desde 2017 (Lei 13.455) desde que informado claramente.

Quando usar: público sensível a preço e com Pix fácil. Funciona muito bem no WhatsApp e no Instagram.

3. Parcelado só acima de certo valor e com juros

“Parcelamos em até 3× sem juros acima de R$ 150; abaixo disso, à vista.” Acima disso, repasse a diferença (“6× de R$ 55” em vez de “6× de R$ 50”).

Quando usar: ticket alto. No ticket baixo, parcelar sem repassar é suicídio de margem.

O erro de “comparar maquininhas só pela taxa”

Uma maquininha com 3,5 % e recebimento em 30 dias pode ser pior que uma com 4,2 % e recebimento em 1 dia, se você precisa do dinheiro para repor estoque. Trinta dias esperando o dinheiro de outubro significa financiar o estoque de novembro do próprio bolso.

Calcule: taxa efetiva = taxa nominal + custo de ficar sem o dinheiro. Se você antecipa recebível a 2 % ao mês, a maquininha “barata” custa na verdade 5,5 %.

Como colocar isso na precificação

A regra geral é definir uma taxa por canal e deixar a fórmula de preço calcular:

Na Planilha de Precificação para MEI isso é uma lista suspensa por produto: você escolhe “Direto”, “Cartão” ou “Marketplace”, e o preço sugerido e o lucro são recalculados. Dá para ver, lado a lado, quanto o mesmo brigadeiro rende vendido no WhatsApp e no iFood — e decidir se vale a pena estar lá.

Maquininhas citadas

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Lembre: compare sempre a taxa efetiva do seu plano (débito, crédito à vista e parcelado) — o preço da máquina é o menor custo da conta.

Resumo

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