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Quanto cobrar por hora como freelancer: a conta certa (e por que 160 horas está errado)

Publicado em 02/10/2026 · 4 min de leitura

A pergunta mais comum de quem começa a trabalhar por conta própria é “quanto cobro por hora?”. A resposta mais comum — “divido o que quero ganhar por 160 horas” — é o motivo de tanta gente trabalhar muito e sobrar pouco. Este guia faz a conta certa, com exemplo, e mostra como ela vira preço de projeto.

Percentuais de impostos e taxas abaixo são referências na data de publicação; confira os do seu enquadramento.

O erro das 160 horas

Um mês tem cerca de 160–176 horas úteis. Mas ninguém fatura todas. Propostas que não fecham, reuniões de alinhamento, e‑mails, cobrança, aprendizado, retrabalho, o próprio ato de vender: isso consome 30 a 50 % do tempo de qualquer autônomo. Quem divide a renda desejada por 160 chega a um valor de hora que só fecha a conta se trabalhar 60 horas por semana.

Autônomos experientes faturam, em média, 20 a 30 horas por semana. É sobre essas que a sua hora precisa pagar tudo.

A fórmula

Hora mínima = (renda desejada + custos fixos) ÷ (1 − impostos e taxas) ÷ horas faturáveis por mês

Onde:

Exemplo completo

Designer que quer R$ 6.000 líquidos por mês, com R$ 900 de custos (Adobe, internet, notebook parcelado, DAS), no MEI (0 % — DAS já nos custos) com 8 % de taxa média de plataforma/cartão, e consegue faturar 25 horas por semana em 46 semanas:

Passo Conta Resultado
Horas faturáveis/mês 25 × 46 ÷ 12 96 h
Faturamento necessário (6.000 + 900) ÷ (1 − 0,08) R$ 7.500
Hora mínima 7.500 ÷ 96 R$ 78
Hora para cobrar 78 × 1,25 R$ 98

Note a diferença: dividindo por 160 horas, a “hora” seria R$ 43 — quase metade. Cobrando R$ 43, esse designer nunca chegaria aos R$ 6.000: faturaria R$ 4.100 em um mês cheio e ficaria com R$ 3.000 depois de custos e taxas.

Faça a sua conta na calculadora do valor da hora.

Por que “hora para cobrar” é 25 % acima do mínimo

O mínimo é o piso: abaixo dele você paga para trabalhar. Mas ninguém fecha 100 % do que orça, projetos estouram as horas, clientes atrasam pagamento. A margem de 20–30 % cobre isso e dá espaço para negociar sem ir abaixo do mínimo. Se o cliente pedir desconto, você cede a margem — não o piso.

Da hora ao preço do projeto

A maioria dos clientes quer preço fechado, não hora. A conversão:

Preço do projeto = horas estimadas × hora para cobrar × fator de risco

Fator de risco: 1,0 para trabalho repetido que você já conhece; 1,2–1,3 quando o escopo tem partes incertas; 1,5 para cliente novo com briefing vago. Depois, registre as horas reais de cada projeto e compare com a estimativa: em três ou quatro projetos você aprende seu padrão de erro (quase todo mundo subestima em 20–40 %) e passa a orçar certo.

Sinais de que sua hora está baixa

Sinais de que pode subir

Regra simples: a cada 3–4 meses, suba 10–15 % para clientes novos. Para os atuais, reajuste anual avisado com antecedência.

Cobrar é parte do trabalho

Hora bem calculada não serve de nada se o cliente paga com 45 dias de atraso. Três práticas: entrada de 40–50 % antes de começar; parcelas vinculadas a entregas, não a datas; e um controle simples de recebíveis que mostre, toda segunda‑feira, o que venceu. A planilha Projetos, Horas e Recebíveis faz exatamente isso — calcula sua hora mínima, mostra o R$/hora real de cada projeto e lista o que cobrar hoje. Para fechar melhor, use um modelo de proposta e contrato com escopo e condições claras.

Resumo

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